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quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Litoral Uruguaio

Areias da Plaja las Achiras
Numa madrugada de quinta-feira, em noite tão estrelada quanto fria viajamos de Santa Maria para o Litoral do Uruguai. Parte do percurso rodamos por uma estrada sinuosa contornando morros entre Caçapava do Sul e Canguçu, que contrastam bastante com aquelas vias retas nas planícies de Pelotas ao Chuí.
Estava ensolarado quando entramos na Avenida Brasil, fronteira com o Chuy Uruguaio. Antes do meio-dia chegamos no Forte San Miguel. Situado dentro de um belo parque, ele fora construído com influência portuguesa durante o período da Província Cisplatina.

Andando pelo local encontramos um hotel mantido pelo Estado, o Parador San Miguel. Imponente construção de pedras no alto de uma coxilha. Almoçamos uma excelente massa numa aconchegante sala com lareira.

À tarde visitamos as lojas do free shopping; ali adquirem-se produtos por um preço bem convidativo com cotação do real valendo onze pesos uruguaios; entretanto, a maioria do grupo não optou por realizar o câmbio; quando fomos pagar a hospedagem nas cabanas, descobrimos que  a cotação era menor, um real valendo oito pesos.

As reservas para estadia no Parque Nacional de Santa Teresa foram feitas pelo Ivan; por sugestão dele ficamos hospedados em confortáveis cabanas com vistas para o Atlântico; nos reuníamos nelas para preparar as refeições do desjejum e da janta com alimentos adquiridos na localidade de Punta Del Diablo e La Coronilla.

Ventava continuamente. Nas noites estreladas sentíamos  frio que enfrentávamos com uma lareira acesa. Nas manhãs ensolaradas foram os passeios pela praia e a visita à fortaleza que nos aqueciam.
Plaja las Achiras
Na sexta-feira andamos pelas areias límpidas da Plaja Las Achiras, às vezes com rochas no caminho, rumo ao sul até a Punta Del Diablo. Nessa localidade de pescadores almoçamos um delicioso arroz com frutos do mar no Restaurant El Malecón.


O sol estava aproximando-se do horizonte oeste com reflexos sob os juncos quando chegamos na Laguna Negra. Caminhando por sua margem rochosa observamos  flamingos voando antes de pousar na água; no mato nativo vimos murtas frutificadas, e muitas coronilhas com ramos espinhosos.

Nuvens brancas alongadas harmonizavam o céu azul na manhã de sábado quando passeávamos pela área interna do Forte de Santa Teresa. Construído sob um terreno onde contempla-se a vastidão da região; encontra-se muito bem cuidado depois de reforma.
Forte de Santa Teresa


No almoço no Salon Comedor, o restaurante perto da Capatacia, combinou-se o cardápio da janta. Optamos por uma visita ao mercado e a uma carniceria na Coronilla. São tão famosas quanto deliciosas as galletas que degustamos recém cozidas numa panadería. Muitos conheceram o cítrico suco de pomelo e a excelente cerveja preta Patrícia Parker.
Laguna Negra


Durante à noite sentimos que a temperatura tinha se elevado, e quem estava acordado por volta das seis da madrugada de domingo notou a chegada de uma chuva forte. Permaneceu nublado pela manhã quando arrumamos as bagagens para o retorno. No parque cruzamos por uma avenida ladeada por palmeiras. Observamos pavões e primatas na Pajarera.
 

Acessamos a Ruta Nacional 9 em direção a fronteira. Quando chegamos no Chuy às 11h acertamos que duas horas e meia seriam  suficiente para visitarmos as lojas;  encontramo-nos no microônibus de acordo com o combinado.

Permanecemos algum tempo na aduana brasileira. Fomos intimados a desembarcar as mercadorias adquiridas no Chuy e responder um questionário sobre influenza A (H1N1).

Rumamos pelo mesmo trajeto de ida. Andamos 330km quilômetros para avistar Pelotas às 18h15min,  desta cidade percorremos mais uma distância semelhante para chegar em Santa Maria às 23h15min.
Plaja las Achiras


Os caminhantes Ivan, Eusa, Caroline, Cristina,Valter, Matheus, Helmut, Neci, Fernando W., Daniel, Adéli, Arthur e o PF viajaram com os motoristas Fabrício e Jorge da empresa Viamérica.

Santa Maria, 06 de Agosto de 2009.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Pelas margens de Tavares

Quinta-feira, 05 de Abril de 2007.

Pela primeira vez visitamos a Lagoa do Peixe, Mostardas e Tavares. Embarquei no microônibus que locamos quando ele estacionou na     esquina da Rua Conrado Hoffmann com a Rua Gal. Neto por volta das 23:00 h. Seguimos pela RS 287. Paramos no restaurante Casa Cheia. Mesmo fechado conseguimos acesso ao banheiro. Entrementes, o Valter tomou café preto. Em Canoas cruzamos por ruas vazias. Às 03:20 h passamos pela Estação Anchieta do Trensurb. Na Capital entramos na Av. Ceará. Percorremos a III Perimetral. Rumamos para Viamão. Uma parada no pedágio da Ecovias, a 40km de Capivari. Nessa cidade entramos na BR 101. De manhã cedo visitamos Mostardas . Chegamos em Tavares às 07:50 h. O Batista e a Sandra nos aguardavam no hotel. Tomamos um excelente café da manhã. Mais tarde embarcamos num ônibus com janelas laterais abertas sem vidros para um passeio na Lagoa do Peixe. Na estrada de chão batido desembarcamos perto de uma ponte de madeira, e fizemos uma caminhada pelo banhado. Observamos ao longe elegantes flamingos; contamos dezessete. Próximo a praia o ônibus atolou numa duna ao lado de um córrego que desemboca no mar, nas imediações de um pequeno vilarejo; ali não existe energia elétrica. Tentamos empurrar o ônibus, sem sucesso ! decidimos caminhar pela praia em direção ao farol, enquanto o Batista e o Tadeu resolviam a questão; providenciaram outro ônibus para nos levar. Chegando no Farol Mostardas conhecemos um faroleiro; subimos os ditos 160 degraus nos 42 m (!)de altura do farol. Ele foi inaugurado em 1894 , e reconstruído em alvenaria em 1940. Num dia de céu azul com nuvens brancas vimos lá de cima todas as casas da localidade. Muita praia, e um mar com água fria. Descemos e embarcamos no ônibus , então desatolado. Voltamos. Andamos pela praia até a Barra da Lagoa. Vimos os maçaricos que migram do Canadá voando rápido sobre as ondas. Caminhando pelo canal de ligação do mar com a Lagoa do Peixe, conhecemos a Barra da Lagoa. Ali em períodos de estiagem o vento desloca areia fechando o canal, separando o mar da Lagoa; posteriormente é aberto com máquinas para facilitar a entrada dos camarões. Retornamos ao hotel;  almoçamos na fazenda do Batista, distante 11km ao sul de Tavares; próxima a Laguna dos Patos. O almoço estava maravilhoso, delicioso; comemos camarão à baiana, camarão com molho branco, lasagna de camarão, camarão frito, todos excelentes; acompanhados por mandioca cozida, batata-doce-amarela. Mais tarde passeamos. O Josmar, a Eusa, o Ivan, o Helmut, e o PF, andaram em dois cavalos que o pessoal da fazenda encilhou; o  Valter disse contente que foi a primeira vez que montou num cavalo; passeamos numa charrete;  a Silvana subiu numa figueira enorme. Por volta das 17:00 h andamos na beira da Laguna na localidade de Ronda; muitas figueiras frondosas, cheias de barbas-de-pau pendentes em seus ramos. Descobrimos um brinquedo: subir e descer correndo pelas dunas. Saimos dali às 19:00 h, e quinze minutos depois estávamos no hotel em Tavares.

Levamos de Santa Maria alguns alimentos, que por fim não cozinhamos conforme tínhamos previsto. Na janta a Cristina preparou um sanduíche aberto com molhos e tomates cerejas. Assistimos ao vídeo sobre a Lagoa do Peixe. Muitos foram deitar cedo. Os quartos são novos e confortáveis.

Sábado, 07 de Abril de 2007.

O dia amanheceu um pouco nublado. Acordei antes das 07:00 h para caminhar na Avenida 11 de Abril, em frente ao hotel. Perto dali um engenho em funcionamento, no telhado muitos pombos-domésticos e algumas curicacas. Depois do substancial desjejum nos preparamos para visitar o Farol Cristovão Pereira. Às 08:40 h embarcamos num ônibus preparado pra enfrentar os futuros atolamentos nas estradas arenosas e úmidas. Nos acompanharam o Misael, de São Borja e a Silvia; ela uma Argentina que reside em Porto Alegre. Inicialmente andamos no asfalto em direção à Mostardas. Depois por um caminho de areia e lama. Entramos na estrada do Rincão; antes da Lagoa do Somidouro paramos para ver toda aquela área plana sem fim. Muitos pássaros pretos voando sobre as lavouras de arroz; o gado pastando no banhado; dois tachãs adultos e cinco filhotes, maçaricos, garças, noivinhas. O Ivan, o Josmar, o  Helmut, e a Neci caminharam por uma estrada  reta. Entramos em um campo aberto por uma estradinha até a praia da Laguna dos Patos e ao farol. Por volta das 10h00 aconteceu o segundo atolamento. Ao todo atolaríamos mais duas vezes. Desembarcamos. Ficamos ali tentando retirar a roda do eixo trazeiro que cada vez mais enterrava-se no barro escuro. Decidimos ir caminhando. Novamente o Batista e o Tadeu, experientes no assunto foram buscar auxílio. Enquanto andávamos pelo campo avistamos a imagem branca do farol, tivemos a impressão que estávamos próximo. Mas, quando chegamos na margem da laguna ele parecia estar cada vez mais distante. Passamos por uma grande plantação de pinus. Vimos pessoas num acampamento com barracas armadas embaixo das árvores e alguns carros estacionados ao lado. O Daniel, a Adéli, a Martha, a Caroline, o Misael, a Silvia e o PF caminharam juntos. Era 11:15 h, quando de repente olhamos para traz e avistamos um vulto branco locomovendo-se; era o nosso ônibus; embarcamos, seguimos encontrando pelo caminho as demais pessoas do grupo. Saimos da trilha na margem da laguna e entramos numa estrada dentro dos talhões de pinus. Pelo que me recordo o Batista disse que está proibido mais plantios na região. Apesar do sol muito quente passeamos por uma enorme duna. Novamente uma estrada muito arenosa  com voçorocas, eis que nos deparamos com mais atolamento; agora de uma roda dianteira. Vários minutos tirando areia debaixo da roda e colocando madeira para o ônibus dar ré; até que saiu; usando muitas toras de pinus cobrimos os buracos no trecho na frente do ônibus. Saimos dali por volta das 12:20 h. Estava nublado quando chegamos no Farol. Construído em 1858 numa ponta da laguna encontra-se com suas aberturas de acesso lacradas. Sentamos e vimos as águas baterem nas rochas que formam uma área cercada ao seu redor. Permanecemos ali das 13:10 às 13:30 horas; vinte e cinco minutos nos separavam de uma caminhada até onde o ônibus ficou estacionado. Retornamos pelo mesmo percurso. Numa certa altura paramos para que o Valter falasse da programação combinada anteriormente com o Batista e o motorista. Estava previsto o almoço depois da visita ao Farol Cristovão Pereira. Devido ao adiantado da hora, 14:10 h , ele levantou a questão que originou dois palpites: voltar para Tavares e almoçar, ou lanchar e seguir direto para visitar o Farol Capão da Marca; depois de alguns minutos de dúvidas a Caroline foi quem resolveu tudo com uma pergunta: quem queria ir almoçar ? quem gostaria de seguir direto para  o outro farol ? decidimos pelo farol. O ônibus estacionou perto do Capão da Marca ao lado de um canal que desagua na Laguna. Para atravessá-lo a pé procuramos locais que o nível d'água fosse até a altura dos nossos joelhos; nas partes mais rasas onde podíamos ver a areia no fundo notamos que a água tinha uma cor de ferrugem. Era 15:55 h quando chegamos no farol construído inicialmente de madeira em 1848; tem 16 metros de altura e foi reconstruído em metal no ano de 1898. Subimos pela escadaria cheia de fezes secas, com mal cheiro e muitas abelhas mortas. Da localidade o Valter, o Sérgio e o Misael decidiram caminhar pela margem da laguna até a fazenda do Batista. Às 16:35 h estávamos no hotel em Tavares. Depois nos encontramos com eles na estância da laguna. O Helmut e a Neci fizeram um carreteiro na janta. Enquanto cozinhavam, comemos muitos camarões assados na chapa e temperado com gotas de limão. Também nos alimentamos com uma saborosa mandioca cozida e misturada com cebolas fritas preparados pela Eusa e o Ivan. Mais cacetinhos, salada, vinho. Um músico da cidade cantou e tocou violão. Tudo isso aconteceu no galpão de chão batido da fazenda. Lá fora o Vandi carneou um cordeiro e nos auxiliou muito naquilo que não esperávamos que acontecesse, apesar das inúmeras mensagens que a Lara enviou pelo celular para Martha comentando a dificuldade que passaram para trafegar pelo trecho lamacento da fazenda até a estrada asfaltada. Começamos o retorno às 01:30 h. Saimos com o micro da estância sem dar muita importância para chuva que caiu durante a noite. Entramos na estrada arenosa. Sem saber nos encaminhávamos para o quarto atolamento da viagem a Tavares. O micro derrapou e enterrou a roda direita da frente;  começou a deslizar para o lado da estrada que tinha um canal cheio d'água; ficamos ali até 02:30 h. Chegou um tratorista para rebocar: primeiro tentou puxar o micro pela trazeira, não deu certo; fez uma manobra pelo campo e estacionou na frente. Todas as tentativas de desatolar enterravam ainda mais a dianteira do micro, deslizando a trazeira para o lado do canal cheio d'água, que para ajudar tinha um fio de cerca; como ninguém sabia se o dito estava ligado em eletrecidade ou não... Foram providenciar outro trator; colocaram um trator na frente do outro; ambos patinaram fazendo força e o micro se movia o suficiente para se atolar mais. Devido ao adiantado da hora e os esforços insuficientes, apesar de toda a dedicação abnegada dos tratoristas, pelas 04:10 h decidimos ir embora. O Ivan e o PF auxiliaram a Martha, a Caroline, a Cristina, a Adéli, o Daniel, evitando que alguém caísse na valeta embarrada. O Valter carregou a Caroline. O motorista disse que durmiria ali para cuidar do veículo. O Valter telefonou para o Batista que prontamente veio nos buscar. Fomos deitar pelas 05:00 h. Eis que logo o motorista surge pelo corredor do hotel dizendo que depois que viemos embora conseguiram desatolar o micro usando uma pá para tirar o barro liberando as rodas dianteiras.

08 de Abril de 2007.

Domingo amanheceu ensolarado com nuvens brancas na imensidão azul. Fizemos as contas no Hotel Parque da Lagoa.

Café de sexta-feira custou R$ 5,00; o pernoite com desjejum saiu por R$ 30,00; o passeio de ônibus custou R$ 250,00; os tratoristas cobraram R$ 120,00; o cache do músico foi R$ 60,00; na janta do Helmut gastamos R$ 90,00; o almoço na estância  foi R$ 15,00; e pela  locação do microônibus  pagamos R$ 1.560,00.

Às 12:35 h demos início a viagem de retorno. Paramos em Mostardas para almoçar no restaurante Edmundo's, na Rua Bento Gonçalves, 906, a uma quadra da praça central da cidade. Visitamos a igreja e o calçadão Chico Pedro. Vimos as casas antigas da época da colonização açoriana. No almoço: massa com molho de camarão, molho de camarão, peixe papa-terra com molho, salada com alface, tomate, couve-flor.

Andando pela BR 101 vimos ao longe no horizonte a chuva chegando. Apreciamos de um lado da estrada muitas lavouras de arroz sendo colhidas com as máquinas colheitadeiras em funcionamento. Observamos um joão-grande parado no banhado; muitas palmeiras num campo plano. Passando entre Capivari e Viamão, na localidade de Águas Claras nos deparamos com um arco-íris, assim: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul e violeta.

Cronometragem:
Tavares, 12:35 h + 27km = Mostardas, 13:00 h; + 2km = saída de Mostardas, 14:30 h ; + 125km= Capivari,16:30 h; + 55km = Viamão 18:20 h; + 17km= POA, 18:50 h (Av. Bento Gonçalves com a Av. Salvador França); + 8km = posto esso em Porto Alegre, 19:15 h; + 127km = restaurante casa cheia, em Venâncio Aires, das 20:55 às 21:30 hs; + 168 km= Santa Maria na Rua Geraldo Aronis, 23:55 h.

Quase doze horas viajando rodamos  529km.

O Valter entrou contato com a pousada, combinou os passeios com o Batista, organizou o roteiro e agendou o microônibus.
Os viajantes Silvana, Deca, Cristina, Martha, Lara, Emocir, Sérgio, Neci, Daniel, Eusa, Adéli, Helmut, Valter, Ivan, Josmar, Caroline, PF.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Campos de São José dos Ausentes

Quinta-feira, 27 de Julho de 2006.

Garoava na manhã de quinta-feira quando partimos para os Campos de Cima da Serra. V
oltamos no domingo, numa noite fria e estrelada de lua crescente.
Embarquei no microônibus quando ele estacionou na Rua Gal. Neto esquina com a Rua Conrado Hoffman. Seguimos pela RST 287. Paramos no restaurante Casa Cheia em Venâncio Aires por trinta minutos. Mais adiante, por indicação do Saulo chegamos na Casa da Cuca, em Portão. Ali comemos maças desidratadas. Na cidade de Taquara vimos uma ciclovia bem sinalizada no centro de uma avenida. Seguimos para São Francisco de Paula por uma estrada sinuosa cheia de curvas serpenteando morros. Alguns trechos pareciam túneis verdes de árvores nativas. Surgiu sol quando estávamos chegando nessa cidade. Nos dirigimos até o Km 64 na RS 235 para visitar a fazenda do Sebastião. Antes de entrar na porteira o motorista do microônibus foi manobrar no acostamento e derrapou, porque disse-lhe que poderia seguir que não haveria problemas. Dica incorreta. Atolou !!! Tivemos que descer para empurrar. Era 16:50 h. Entramos. O microônibus ficou estacionado numa parte elevada do terreno. Caminhando pelo campo úmido visualizamos um bosque de pinus e um vale. Conhecemos o gado franqueiro com suas enormes aspas. Andamos até o topo de uma coxilha onde foi construída uma bela casa de alvenaria; entretanto foi numa agradável cozinha do galpão de madeira que fomos recepcionados. O Sebastião nos aguardava com um fogo de chão. O Helmut fez um carreteiro. Jantamos com alface, queijo e vinho. Sentimos o vento frio entrando pelas grandes aberturas na parede, espaços amplos de um pé direito alto. Por ali nossos deslocamentos eram guiados por uma linha tênue de luz. Muitos pinhões cozidos em fogão à lenha na cozinha . Muitas poesias nas paredes. E com toda aquela penumbra o Daniel encontrou um quadro com poesias do seu tio José Hilário, que a Deca leu-a com velas acesas. Ouvimos o Sebastião falar sobre os primordios da ocupação da Região pelos Portugueses. Descreveu seu gosto pela tradição, pela música e pela poesia. Comentou sobre a sua amizade com o poeta João da Cunha Va
rgas. Disse que ele nasceu em Alegrete, viveu 80 anos, e faleceu nessa cidade em 1980. Falou que gravou suas poesias em fita cassete, e que a partir dela, o Vitor Ramil musicou algumas letras. Para nós declamou "Querência". Ressaltou sobre aqueles que acredita serem os quatro grandes da poesia do Rio Grande do Sul, João da Cunha Vargas, José Hilário Retamoso, Aureliano de Figueiredo Pinto e Jaime Caetano Braun. Falou algo sobre o Antonio Manoel Velho, um dos precursores da Região. Ficamos sabendo que a origem da palavra Ausentes, - que dá nome a cidade-, é devido antigos proprietários de terras, que após sua morte ninguém reclamava posse. Nos preparamos para ir embora. Embarcamos, mas o micro não conseguia partir estrada acima lotado conosco. Descemos. Caminhamos sob uma abóbada estrelada. Subimos no veículo e andamos até a porteira que se encontrava fechada com cadeado e corrente. O Valter ligou para o Sebastião. Prontamente ele veio abrí-la. Embora ser um percurso mais longo, ele sugeriu que fossemos por Bom Jesus e não por Cambará do Sul. Tinha chovido e as condições da estrada estava mais difícil. Era 21:35 h. Fomos em direção a Tainhas. Rumamos para Bom Jesus. Na RS 110 andamos em meia pista em alguns trechos devido aos trabalhos de asfaltamento com muitas máquinas estacionadas. Às 00:30 h chegamos numa avenida de Bom Jesus. Paramos para solicitar informações sobre qual direção seguir. Saimos da cidade, andamos mais um pouco, e novamente mais dúvida noutra bifurcação da estrada de chão. O Valter ligou para o proprietário da pousada. O Dalvone nos orientou. Às 02:35 h estávamos na Fazenda Pousada dos Ausentes. Eles nos aguardavam com um lanche em um ambiente aquecido com uma lareira acesa.

Cronometramos o percurso de Santa Maria a São José dos Ausentes:

09h40min, Santa Maria. 10h24min, HUSM. 11h50min, pedágio em Candelária. 12h06min, Trevo de Vera Cruz. 12h30min, pedágio em Venâncio. 12h50min, restaurante Casa Cheia. 13h55min, BR 386, trevo para Montenegro. 14h30min, pedágio em Portão. 14h35min, Casa da Cuca em Portão. 15h20min, pedágio em Novo Hamburgo. 15h40min, Parobé, fabrica da Azaléa. 15h50min, na ciclovia de Taquara. 16h35min, RS 020 com RS 235, para Canela. 16h50min, Km 64 na RS 235 na entrada da fazenda do Sebastião. 21h35min, saimos do galpão. 22h00min, asfalto na RS 020. 22h50min,Tainhas. 23h12min, RS 110 para Bom Jesus. Depois de 19km de asfalto ruim. 00h35min, Bom Jesus. 02h35min, Fazenda Pousada dos Ausentes, depois 41km de estrada ruim de chão batido. De acordo com o odômetro do microônibus rodamos 545km.

Sexta-feira, 28 de Julho de 2006.

A maioria conheceu o local pela primeira vez. Pela manhã visitamos a cidade antes de ir ao Pico do Montenegro com seus 1.403 metros, distante 40Km ao norte da cidade. Abastecemos o microônibus no Posto Petrocesa ao custo de R$ 2,09 o litro de óleo. O veículo teve problemas com o filtro de ar. Falamos com um morador chamado Sérgio Santos, ele indicou a estrada que deveriamos ir. Comentou sobre a gravação de uma novela no Cachoeirão dos Rodrigues. Seguimos. No caminho paramos na localidade chamada Silveira. Observamos a carneação de um charolês, e registramos as enormes aspas de um gusera no galpão na casa do Dirlei. Cruzamos uma ponte de um riacho com águas corredeiras. A vastidão da paisagem com amplos campos entremeados de rios, muitas coxilhas, e verdejantes matas de araucárias começou a nos surpreender. Pouco antes de encontrar o Pico, desembarcamos, e caminhamos pelo campo. O Ivan, o Helmut, o Sérgio, o Valter,  o Josmar e a Deca  andaram morro acima até o topo, contornando ora por um capoeirão, ora por trilha no meio de arvoretas e arbustos tortuosos em terra úmida. Mais atrás foram o Saulo, a Martha e o PF. Era 13h55min. Lá de cima vimos neblina sobre o canion e campos limpos. No retorno paramos na pousada Fazenda Montenegro na beira da estrada. Vimos tocos de araucária sendo usados como bancos no gramado, palas de lã secando na cerca e um cavalo tordilho deitado. Como ainda tinha o sol da tarde voltamos para conhecer o Cachoeirão dos Rodrigues. Durante o percurso paramos na estrada perto de um riacho onde alguns homens estavam trabalhando no conserto de uma ponte. Pregavam uns pranchões de madeira. Conversamos. Permitiram que déssemos algumas marretadas. De ambos os lados carros, e um caminhão carregado com toras de pinus aguardavam para passar. Visitamos a sede da Fazenda Potreirinho. À tardinha chegamos no Cachoeirão dos Rodrigues. Ali tem um rio com uma queda d'água panorâmica, embora maior ela nos lembra um pouco aquela do Rio Guassupi, em São Martinho da Serra. Caminhamos pelo campo
em direção ao mato nativo para ver a cascata. Muito simpáticas as pessoas que nos receberam na pousada. Seu Antonio Sérgio e sua esposa Rosane Salib Nakes (ví os nomes no jornal, ?). Quando partimos, notamos o céu nublar. Logo veio uma garoa. Novamente em Silveira, o Helmut buscou a carne que havia encomendado. Conheci o Leandro, fotógrafo dos cartões postais de São José dos Ausentes. Por volta das 18:50 h estávamos na cidade, sem chuva, e com um belo por do sol. Na noite a temperatura chegou a 3 graus. Jantamos comida caseira; mandioca, arroz, feijão vermelho, carne de panela, salada de alface, tomate, beterraba cozida, pepino, couve crua. Tomamos vinho tinto que o Ivan, o Valter,  o Josmar e o Daniel levaram. Helmut e o Sérgio vinho branco. Na sobremesa um doce típico da região feito de uma fruta chamada gila. No café da manhã encontramos mel e doces, queijo e salame, pães e bolos, mamão cortado com casca e sementes, laranjas, maças não tão boas, bananas, leite, café e água quente. Bolo de milho muito gostoso preparado pela Alva, irmã do Dalvone.

Sábado, 29 de Julho de 2006.

Nos impressionamos quando chegamos na Serra da Rocinha. Fizemos malabarismos no momento do desembarque, para nos equilibrar do vento forte. O micro estacionou por volta das 10:10 h no mirante da Serra. Parecia que iria tombar. Todos sentimos muito frio. Sensação térmica baixíssima. Congelava-se as mãos. O chapéu do Ivan voou, e perdeu-se morro abaixo. Tomamos a graspa que ele levou; quem bebeu pouco quase não sentiu efeito algum. Avistamos vários morros. Notamos a cidade de Timbé do Sul. Vislumbramos a estrada serpenteando os morros. Mais tarde caminhamos estrada abaixo até o local onde tem uma Válvula do Gasoduto Bolívia-Brasil. Lembramos o tronco que o Ivan carregou nos ombros morro acima. O Sérgio e a Marta pegaram carona com o Giovane, um hóspede da pousada. Voltamos na Serra da Rocinha onde o micro ficou estacionado até às 13:20 h. Caminhamos no Vale das Trutas. Pedimos informação para encontrar a cascata do Juvenal que desagua ali no riacho do Vale. O Helmut e o Ivan decidiram andar até as cabanas que se avistam elegantemente do topo da estrada. Encontramos uma siriema caminhando na estrada. Muitos turistas no Vale das Trutas. Alguns almoçaram no restaurante, sopa, truta assada e grelhada. O Helmut comprou trutas, e trouxe-as num isopor. Caminhamos pelos tanques e conhecemos as cabanas. Era 16:00 h quando saimos. Levamos vinte minutos para chegar em São José dos Ausentes. As mulheres visitaram a Loja Araucária. Tinha sol quando chegamos na pousada. Ainda dia caminhamos pelo campo. Vimos um cemitério com os antepassados do Dalvone, e precursores da região. Jantamos cedo. Tomamos muito vinho. Dançamos no salão da pousada. Fui deitar às 02:30 h. Pela manhã ví duas gralhas-azuis voando no pátio. Observamos o gelo formado na superfície da lagoa em frente a pousada, e no barro das estradas. Os copos-de-leite ao lado da cerca de pedra murcharam com a geada.

Domingo, 30 de Julho de 2006.

Nos despedimos numa manhã fria e ensolarada. Paramos em frente ao termômetro gigante na praça central de Ausentes. Almoçamos no Restaurante Costaneira em Cambará do Sul. Partimos para São Francisco de Paula por um trecho bem conservado e sem acostamento. Ao longo da estrada várias plantações de pinus com árvores de diversas alturas. Gado. Os campos estavam com cor de palha seca. Notamos algumas áreas queimadas. Uma lavoura de milho. Pequenos lagos. Muitos riachos. Rumamos para Taquara e chegamos em Três Coroas. Depois de vinte quilômetros rodando numa estrada de chão batido visitamos o templo budista. Permanecemos ali por uma hora. Passamos por Taquara. Começamos a ouvir o primeiro tempo do Grenal, que depois de muito tumulto no Beira-Rio , terminou empatado sem gols. No intervalo do jogo ouvimos Mercedes Sosa e Zeca Balero dos CDs do Daniel, e o Ultrage, do Saulo. Os Almondegas e Nana Caymi, da Deca. Paramos às 20:40 h no restaurante Casa Cheia. A Martha desembarcou em Santa Cruz.

Eis a cronometragem do percurso de São José dos Ausentes a Santa Maria:

10:55 h, pousada. 11:15 h, São José dos Ausentes. 11:50 h, posto de fiscalização. 13:50 h, Cambará S.A. 13:40 h, Cambará do Sul. 14:00h, Restaurante Costaneira. 16:05 H, São Francisco de Paula. 16:30 h, Centro Budista. 18:00 h, Taquara. 18:33 h, RS 239. Pedágio em Campo Bom. 19:10 h, Casa das Cucas em Portão. 19:50 h, BR 386 em Tabaí. 20:40 h, restaurante casa Cheia em Venâncio. 21:15 h, RS 287, pedágio. 21:25 h, Santa Cruz, 5 graus. 21:45 h, RS 287. 21:50 h, trevo de Vera Cruz. 23:30 h, Casa do Helmut. 23:44 h, digital da Fernando Ferrari. Rodamos 490km até Santa Maria. Totalizando ida e volta cerca de 1.189km. Pagamos para empresa Lubro R$ 1.750,00 (hum mil e setecentos e cinquenta reais ) pela ida e retorno de Ausentes, com direito a rodar mais 200km na região.
Os viajantes: Ivan, Eusa, Daniel, Adéli, Cristina, Caroline, Valter, Martha, Ana, Helmut, Neci, Sérgio, Marta, Lara, Josmar, Deca, PF.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Primavera em Vale Veneto


Vale Vêneto, Setembro de 2008.
Sentimos um pouquinho de frio durante à noite estrelada de sábado, e calor no ensolarado domingo sob um céu azulado com nítidas nuvens brancas. A partir de segunda-feira iniciamos os diálogos com amigos sobre o passeio no fim de semana em Vale Vêneto.

Na tarde de sábado caminhei da Conrado Hoffmann em direção a Bozano, encontrei-me com a Deca e o Josmar na livraria Anaterra. Quando passamos em frente ao Monet anotei que o digital da pracinha indicava 23 graus às 18h12. Rumamos pela estrada movimentada até a rótula da Av. Roraima, depois Rua
Miguel Couto e Av. João Machado Soares. No caminho para Arroio Grande notamos que destruíram a casa colonial abandonada de alvenaria que existia ao lado esquerdo da estrada, logo na primeira curva depois da segunda ponte depois dos trilhos. Observamos as várzeas sendo aradas para o plantio de arroz. Os ponteiros do enorme relógio da torre da Igreja da localidade indicavam horário errado, porém quando ali passamos novamente no domingo percebi que coincidia 15h25. Com menos tráfego de veículos subimos em direção a Silveira Martins, notamos algum movimento no restaurante Val de Buia e no café colonial recentemente inaugurado perto da entrada da cidade. Depois do Monumento ao Imigrante, após a curva forte à direita , ainda falta algum trecho até a primeira curva à esquerda para se notar o colorido dos beijinhos delineando o acostamento com árvores nativas em ambos os lados da estrada em todo o percurso até o final do asfalto. De Silveira Martins rodamos 6.5km numa estrada de chão batido. À noitinha visualizamos Vale Vêneto. Durante a semana foram alguns telefonemas para combinar com a Maira o cardápio da janta. Ela foi servida às 21h00. Antes caminhamos até o morro da via crucis. Lá de cima notamos a localidade iluminada e ao longe, na planície, as luzes da cidade de Restinga Sêca. Na janta três opções de massas talharim, al pesto, carbonara, alho e óleo, galeto frito, salada de beterraba,
c
enoura, couve-flor, salada verde de radici com chicória, queijo ralado e azeite de oliva. Na sobremesa sagú e doce de abóbora com carambola. O Valter, o Daniel e o Josmar levaram algumas garrafas de vinhos tintos, a Cristina vinho branco. A Caroline tomou coca-cola. Mais tarde tomou-se cerveja. Ouvimos Janis Joplin, Secos e Molhados, que a Deca levou. O Valter contribuiu com Flávio Guimarães e Chico Buarque.

Lembramos da copa florida do ipê-roxo na praça que agora tem muitos ipês-amarelos com poucas folhas. Enormes canafístulas com copas que faziam sombras nos bancos de madeira perto da torre metálica vermelha. Aquela cujas escadas o Delmar, o Daniel, o Leonardo e o Valter se aventuram até o topo.

Por volta das sete horas da manhã me acordei, depois da Eusa e antes da Caroline. Juntos caminhamos pelos arredores da praça, igreja e seminário. Sob uma neblina ouvimos alguns cardeais vocalizarem e observamos muitas andorinhas,  que ora voavam, ora pousavam nos fios de energia elétrica.

Já sentíamos um pouco o sol quente pelas 10h20 quando fomos caminhar em direção a São Valentim. Inicialmente morro acima pela estrada de chão batido, a mesma que passa em frente a pousada. Quando encontramos a primeira casa de pedra ao lado de uma outra de alvenaria de construção mais recente, percebemos que enquanto um cachorro manso de pêlo preto descansava a sombra de um cinamomo no gramado das casas, outro baio latia e vinha em nossa direção sem maiores problemas. Adiante passamos por uns enormes plátanos, perto de encontrar outra casa de pedra reformada que outrora conhecemos abandonada com uma placa em cima da porta principal escrito “Famiglia Varaschini”.
Epóca das notáveis flores alaranjadas das corticeiras e da abundância do algodoal das paineiras. Não falamos com seu Aníbal, entretanto, fomos recepcionados pelo seu filho Adazir em meio aos trabalhos de macerar a cana-de-açucar com a força de um moinho de água. Ele ofereceu garapa e indicou o caminho que deveríamos seguir para encontrar uma cascata. Notamos o
s jataís movimentarem-se na entrada de sua colmeia na base do tronco de uma cabreúva na beira da estrada, também percebemos muitas abelhas em uma colmeia de madeira pintada de azul. Mas, não sabemos qual vespa ferroou o dedo da Lúcia quando estávamos sentados nas muitas pedras redondas no campo em baixo de uma laranjeira carregada de frutas amarelas. Fizemos algumas tentativas dentro do mato seguindo o percurso a montante mas não encontramos a queda d’água. Na volta me distanciei da maioria do grupo , enquanto parava para fotografar o tronco da guabiroba-do-mato, penso que seja a primeira vez que a vejo florida. Impressionante o tamanho da timbaúva, bem maior que a cabreúva.

Sentados nos bancos de madeira da praça de Vale Vêneto percebemos um movimento silencioso de um grupo pessoas em torno da igreja. Era a despedida da dona Ângela Dotto Pivetta. O Paulo comentou que vivera 98 anos.


Os viajantes: Eusa. Josmar. Deca. Alice. Rodrigo. Cristina. Valter. Caroline. Leonardo. Lúcia. Daniel. Adéli. Delmar. PF.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Um sábado entre Novo Treviso e Vila Cruz

Por sugestão do Valter visitamos Novo Treviso. Combinamos o encontro da partida em frente ao Hotel Appel. Por volta das onze e cinquenta, numa manhã mais ensolarada que fria embarcamos no ônibus do Sérgio. Seguimos pela RS 287 até a entrada à esquerda pra Faxinal do Soturno, na RS 149. Percebemos que terminou a colheita do arroz, nas lavouras onde ele fora plantado a várzea estava alagada, e tinha restos de palha e lama. Às 12h50min passamos pelo trevo de São João do Polesine, depois de percorrer  47km. Às 13h12 visualizamos uma parte plana entre morros perto do Rio Trombudo com poucas moradias contrastando com a imponente Igreja Santa Terezinha. Ela fora construída há mais de cem anos. Na parede do altar e no teto apreciamos as pinturas do A. Lazzarini, feitas na década de 60. Dona Lourdes Balzan comentou que a torre foi erguida com pedras, e por ela ficamos sabendo que em 02 de setembro ocorre comemoração na igreja, e no último domingo de abril tem festa do padroeiro São Marcos. A família da Claudete Basso, filha da Maria e do Solenio, mãe do Igor, casada com o Almir, nos aguardava para o almoço nas dependências de uma casa de alvenaria situada numa esquina. Embora a fachada indicasse o ano de 1943, parte dela fora construída de madeira há muito mais tempo. Todos muito agradáveis e simpáticos nos conduziram à sala de refeição. Na mesa  iguarias em quantidades levemente superiores ao nosso apetite; ademais, as qualidades da massa ,  sopa de agnolini, batata-doce-assada, polenta, galinha, pão, risoto, salada de alface, tomate, omelete, queijo ralado, sucos de laranja com manga, ou com abacaxi. Mais tarde abriram as portas do Museu Geringonça de Novo Treviso localizado num prédio ligado à casa, com dependências novas; no térreo visitamos salas com diversos objetos de metal e de madeira que foram utilizados pelos primeiros imigrantes. Sempre delicadamente dispostos harmonizando com duas fotos ampliadas nas dimensões das paredes do fundo. Muitos posters com textos dos quais reproduzimos este: as casas eram construídas em clareiras abertas no meio do mato, com pranchas de madeira falquejadas e esteios; na falta de pregos, amarravam os pranchões com cipós. Muitas vezes as cozinhas eram de chão batido, o que facilitava para o fogo. Costumavam fazer um fogo no lado de fora das casas para espantar os bichos. A Claudete nos auxiliou na tradução destas duas frases em dialeto: “ chi gá inventa l’vin, se no l''zé in paradiso el zé vissin”, quem inventou o vinho, ou está no céu ou dele é vizinho, e “chi va in leto senza cena tuta la note li se ramena, quem vai pra cama dormir sem comer se remexe toda noite. Foi seu filho, que durante a caminhada pelo pátio, disse o nome da lili, uma pastora alemã dócil de cinco meses. Ele nos mostrou onde estavam os chiqueiros dos porcos, o cercado das galinhas, e o campo com as reses descansando; entrementes, observamos um bando de gansos brancos caminhando e movimentando lentamente seus pescoços pra frente e pra trás com um grasnar de intimidação.
Combinamos seguir viagem para Vila Cruz, distante oito quilômetros por estrada de chão. Deixamos o ônibus e optamos por uma caminhada de duas horas. Com sol ameno e poucas nuvens no céu, às 15h50min partimos. Alguns foram na frente; logo atrás o Sérgio e o PF; juntos conversavam, e seguiram o ritmo e a direção das águas do Rio Trombudo; deveriam ter entrado à esquerda na primeira bifurcação, na frente de uma capela; andaram mais seis quilômetros estrada abaixo; encontraram muitas bergamoteiras com frutos amarelos quanto deliciosos, e visitaram a localidade que recebe o mesmo nome do Rio. Ali chegaram à noitinha duas horas após; falaram com o Anderson no armazém dos Cargnelutti; o seu pai Décio permitiu que ele nos conduzisse de carro novamente a Novo Treviso; embarcamos no ônibus e rumamos agora pelo caminho que nos levaria até Vila Cruz; logo, na bifurcação da capela dobramos, e passamos por uma pequena ponte sobre o Rio Trombudo que indicava o início de uma longa subida; andamos  dois ou três quilômetros morro acima por uma estradinha de chão pedregoso e firme tanto quanto estreita, como uma trilha no meio do mato;  percorrendo as partes mais altas notávamos o vale iluminado pelas luzes das casas; num determinado momento surgiu dúvida; procuramos moradores pra solicitar informação; prontamente paramos na frente de uma moradia à direita da estrada, um menino, observado por uma mulher na porta da casa, vestindo uma camiseta vermelha do colorado nos atendeu dirigindo sua bicicleta; quando perguntamos sobre qual direção seguir, nos indicou.
Pouco antes das sete de uma noite fria de lua cheia chegamos na Vila Cruz. Tentamos encontrar a pousada; descemos pela rua em frente à igreja, dobramos à direita, mais dúvidas quanto a direção; tivemos que solicitar mais informações, inicialmente pra uma mulher que caminhava com compras pela calçada, de acordo com suas palavras deveríamos retornar pela subida e dobrar à esquerda;  desci do ônibus pra auxiliar o Sérgio, enquanto ele manobrava surgiu o Gelson Pesamosca para comentar outra opção: poderíamos ir em frente e entrar na primeira à direita na Rua dos Imigrantes, andar uma quadra e encontrar a pousada; como os demais do grupo chegaram cedo, aguardavam relatos pra saber nosso passeio por outro local.
Fomos agradavelmente recepcionados pela família da Dona Leda Grandene Cargnin, mãe dos gêmeos Marcos e Maurício, e da Mariel e Matias, avó dos filhos do Márcio com a Sandra, a querida Júlia e seu irmão Eduardo, primos da graciosa Betina e José Humberto, caçulas da sua primeira filha Marinês e Humberto Stefanello, o genro do seu esposo Francisco.
Acompanhamos os preparativos da janta, que foi servida num salão no subsolo; primeiro conhecemos o delicioso licor de flores de laranjeira com cachaça. Na mesa posta saborosos pratos: massa al pesto, massa alho e óleo, polenta, queijo, carne de galinha, yakisoba, salada de alface, e os inesquecíveis sucos de uva e laranja.
Nas conversas com a Dona Leda ficamos conhecendo a receita da Flora Mato Grosso; muito digestiva, também combate o reumatismo quando a porção diária ingerida for uma colher de chá, entretanto, doses generosas deixam a pessoa demasiadamente alegre, e ou ébria. Pra ajudar na lembrança anotamos os ingredientes: casca de angico-vermelho, casca de mamica-de-cadela, casca de corticeira, cipó-mil-homens e cancorosa; preparado em quantidades semelhantes de todas as cascas numa pequena vianda, três pedaços de 5cm do cipó, sete folhas de cancorosa, dois litros e meio de álcool de cereais ou de cachaça. Deixar em infusão por três a quatro meses; após este período retira-se o líquido precioso; reserva-se em outra vasilha; acrescenta-se ao recipiente com as cascas mais dois litros e meio de álcool ou de cachaça; aguarda-se por mais quinze dias, então retira-se pela segunda vez, e mistura-se com o primeiro líquido; tem-se cinco litros da Flora Mato Grosso.
Ainda à noite ouvimos o Gelson cantar, pai das gêmeas Bárbara e Bibiana, filho da Dona Alzira Dalcin Pesamosca, residentes do casarão azul na esquina diagonal à Capela (igreja) de Santa Cruz.
Manhã nublada, muitas pessoas em frente do salão e igreja lotada. No domingo caminhamos nas redondezas. De cima do Morro da Cruz observamos o topo de muitos outros; notava-se que a localidade é composta por dois quarteirões de três ruas calçadas com rochas basálticas.
Conhecemos a fábrica de vassouras artesanais fundada pela família, agora aos cuidados do Gelson. Falando com dona Alzira ficamos sabendo que certa vez ela ajudou a confeccionar 12 dúzias do produto num dia de trabalho, e que jamais reclamaram da qualidade. Comentou que está com oitenta anos, apresentou as netas, mostrou-me as dependências internas do casarão, fotos coloridas da família com casamento dos filhos , uma das quais com a Bárbara e a Bibiana sorrindo com um cesto nos braços embaixo de uma videira. Lamentou a morte do seu Ivo, há quatro meses.
Apesar de um farto e apetitoso desjejum, todavia, apenas comento o revigorante suco de couve com hortelã e banana. Às 13hoomin um almoço com muito risoto, carne de porco, salada de alface, e omelete com queijo.
Conhecemos casarões com paredes largas construídas com rochas irregulares. Às 14h21min embarcamos no ônibus do Sérgio, e ciceroneados por Dona Leda e Roberto Spanevello na estrada em direção a Novo Paraíso. Rodamos cerca de três quilômetros até a propriedade com benfeitorias realizadas pela família de Olinto Facco. No caminho não paramos para contar um bando de quinze maçaricos-pretos forrageando no banhado; ademais, ficamos alguns minutos observando um ouriço pousado num galho de um eucalipto, quando caminhávamos na trilha do mato nativo na propriedade do Vitélio Stefanello.
Nos arredores do casarão de pedra dos Facco, um gatinho e um cachorro mansos, nas hortas muitas laranjeiras cobertas de frutos igualmente amarelos; Roberto deixou todos à vontade pra apanhar frutas. A Adéli e a Neci preferiram as flores cor-de-rosa de uma camélia.
Voltamos para pousada. Embarcamos num microônibus escolar dirigido pelo seu Chico. Andamos dez minutos em direção a Linha Cinco. Entramos à esquerda depois da Capela São José. Caminhamos por trilhas na propriedade do Vitélio, numa mata nativa de 24 hectares. Fomos recepcionados pela Marinês Stefanello; ali o Ivan fotografou urubus-de-cabeça-preta pousados nos galhos de uma figueira enorme; observamos um jacú caminhando nos ramos de outra frondosa árvore; seguimos mato a dentro por um caminho limpo, muitas folhas secas no chão com grande densidade de árvores e arbustos de pequenos diâmetros, indicando ser uma floresta nova. Ouvimos o Vitélio comentar sobre o incêndio na casa que estava construindo. Encontramos na trilha, entre as árvores, um cipó-mil-homens; quando solicitada Dona Leda macerou, e cheirou uma pequena amostra de sua casca pra identificá-la.
Nos despedimos por volta das 17h30min. Partimos em direção a Nova Palma; descemos por uma estrada íngreme e conservada de chão batido. Paisagens recortadas por morros, ora razoavelmente cobertos por vegetação arbórea nativa, ora com lavouras e casas nos vales. Andamos oito quilômetros para avistar a cidade. Enquanto cruzávamos pela rua da igreja, notamos as enormes tipuanas plantadas nos dois lados da calçada. Dali rodamos mais 16Km numa estrada vicinal asfaltada ao longo do Rio Soturno. Por volta das 18h25 passávamos sobre os 113,55m da ponte de concreto que marca a divisão de Faxinal do Soturno com São João do Polesine. Quinze minutos depois entrávamos na movimentada RS 287. Às 19h10min Caroline, Adéli, Daniel, Valter, Cristina, Martha, Ivan, Eusa, Helmut, Neci, Marta e Sérgio chegaram novamente em frente ao Hotel Appel.
Santa Maria, 09 de Julho de 2009.