quinta-feira, 16 de julho de 2009

Urubici sem neve

Viagem pra Urubici.
Sexta-feira, 25 de Julho de 2008.
Numa noite mais estrelada que fria iniciamos nossa viagem para conhecer Urubici, na Serra de Santa Catarina.
Combinamos um roteiro com a empresa do microônibus para que o motorista passasse nos locais onde todos estavam aguardando com suas bagagens. Então, o PF ficou encarregado de ir até a Rua Aníbal Garcia onde está localizado o escritório e a garagem da Viamérica. Dali partiu às 20h53 acompanhando o motorista Elias. Inicialmente fomos encontrar o Ivan e a Eusa na esquina da André Marques com Henrique Dias (20h58 – 21h04), com Caroline, Valter, Cristina, na Floriano (21h08 – 21h19), com Josmar e a Deca, na Bozano esquina com Visconde (21h26 -21h28), depois com o Eduardo e a Silvana na Silva Jardim (21h32 -21h37), mais adiante passamos na Gal. Neto esquina com Conrado Hoffmann, para que o PF buscasse as suas no Ed. Tiradentes (21h45 – 21h50), rumamos para a rodoviária para pegar o motorista Ubirajara que viera de Candelária, após nos dirigimos à rua Geraldo Aronis para encontrar o Helmut e a Neci (22h01 – 22h04). Tomamos a BR 158; logo que chegamos no trevo do castelinho zeramos um odômetro às 22h12. Cronometramos as distâncias e seus respectivos horários a partir de Santa Maria. Pudemos ver que andamos 60km até Júlio de Castilhos (23h00), 128km até Cruz Alta (23h50). Nessa cidade nos encontramos com a Alice e o Rodrigo num posto à beira da estrada, nos aguardavam ali com os pais dele. Aos 180km passamos em Ibirubá (00h35). 197km, Selbach (00h48). 206km, Tapera (00h57). 234km , Tio Hugo (01h18). 244km, Ernestina (01h27). 275km, entrada de Passo Fundo (01h48), por onde andamos dez quilometros pela Av. Brasil perfazendo 285km. Nos 383km, Lagoa Vermelha (03h22). 421km, Muitos Capões (03h50). 447Km, Pedágio (04h11), ali me recordo que sentimos o vento frio quando descemos para ir ao banheiro. 454km, Vacaria (04h25). 458km, BR 116, (04h31). 474km, Pedágio (04h44). 489km, posto fiscal (04h56). 497km, Ponte Rio Pelotas, divisa RS/SC (05h05). 557km, entrada em Lages (05h57). Paramos no posto Palmeiras na entrada da cidade para telefonar para o Jonas, que chegou depois de alguns minutos para nos conduzir ao desjejum no Grande Hotel Lages. Cronometrei novamente quando chegamos em Bocaina do Sul, 609Km (08h38). 654km, na SC 438, localidade de Santa Clara (09h10) e 678km, Urubici às 09h49.

Sábado, 26 de Julho de 2008.

À tarde levamos cerca de uma hora para viajar os 42km de Urubici até a Fazenda São Sebastião na localidade de N
egrinha, em Bom Retiro. Daqueles os últimos 4km foram estrada de chão que percorremos entre a BR 282 e a pousada no meio de um bosque de pinus. Notamos uma fileira de palmeiras logo depois da porteira de entrada. Por volta das 15h20 fomos recepcionados por Naura e Márcio, seus filhos Flávio e Fábio. Cristina e Valcir, Juan e Rosa. Na chegada ficamos sabendo os quartos onde cada um de nós iria dormir.

São amplas as construções de alvenaria brancas com aberturas verdes. À direita estão a cozinha e a sala das refeições e lareira, atrás o galpão de chão. À esquerda os quartos, com ou
tra fileira de enormes eucaliptos. Mais adiante um lago, trapiche com uma área coberta, mesas e cadeiras de balanço no centro. Gansos nadando ao redor.

No passeio que fizemos até uma cascata a Caroline cavalgou na Pintada (branca) e o Eduardo na Marchadeira (colorada), éguas mansas que o Flávio encilhou. Durante o percurso Flávio comentou que estava com o pé esquerdo machucado porque pisou num espinho. Ouvimos o Márcio e o Valcir contar a históri
a da morte de uma ovelha pelo leão-baio. Tudo era apenas uma estória até que nos mostraram a carcaça da tal ovelha: ossos e restos de lã na entrada do mato nativo perto da cascata. Descemos morro abaixo ainda com os últimos raios do sol que se punha no horizonte pros lados de Lages.
Na janta, prato com pinhões apreciado pelos demais - pinhão é uma semente linda, mas não gosto de comer. Tomamos vinho, ouvimos o Márcio cantar, o Valcir tocar gaita, e o Juan violão. Tanto o fogo na lareira como o do chão no galpão nos aquecera a ponto de sentir calor mesmo quando caminhávamos ao ar livre na noite fria.
Domingo, 27 de Julho de 2008.
Visita a Serra do Corvo Branco, Cascata Véu de Noiva, Pedra Furada, Gruta N. S. de Lourdes e Cascata do Avencal. O grupo que veio de Florianópolis retornou sem passear no último local.
Saboreamos o primeiro café da manhã na pousada. Alguns provaram o camargo, - café com o leite tomado logo após ser ordenhado da vaca. Aveia, bolos, frutas, queijo, presunto, sucos, pães de queijo, (não tão gostoso quanto o do hotel em Lages ), bebida láctea, que acredito ter provocado minhas alterações intestinais durante a viagem de volta a Santa Maria.

Embarcamos às 08h35 no microônibus da Viamérica. Uma hora depois chegamos em Urubici. Ali mudamos para outro micro que foi conduzido pelo Julierme. Partimos às 09h50. Depois de rodar vinte e oito quilômetros por cinquenta minutos em uma e
strada de chão batido estávamos na Serra do Corvo Branco. Até lá cruzamos pela igreja de Santo Antônio. Vimos que a amarela de Santa Terezinha é a maior e mais notável. Da estrada observamos um rodeio em São Pedro e as macieiras sem folhas em Canudo. Nesse ínterim ouvi comentários do Julierme sobre o Gilberto, um morador do Arroio do Engenho que pegou um filhote de leão-baio no mato e por seis meses o criava em casa, até que o IBAMA o encaminhou para o Zoológico de Curitiba. Falou das plantações de macieiras da sua família, disse que começam a produzir no terceiro ano de plantio. Explicou o por que da quantidade de fios brancos de naylon nos galhos nos pés de macieira que mantém seu crescimento na horizontal. No Corvo Branco desembarcamos numa altitude de 1130m , e para aproveitar a imponência das rochas íngremes e escarpadas seguimos a pé, estrada abaixo. De volta ao micro, retornamos na estrada agora com bastante movimento de veículos até Santa Terezinha onde dobramos à esquerda numa via asfaltada. Às 12h17 chegamos na cascata do Véu de Noiva. Alguns almoçaram no buffet. Tomei suco de amoras silvestres. Visitamos a queda d'água. Ali perto a Silvana - e mais ninguém, que eu me lembre - aventurou-se na tirolesa voando presa a uma roldana sobre as copas das árvores e o rio. Seguindo viagem andamos até o amplo panorama dos canions e escarpas. Ficamos de frente para Pedra Furada no Morro da Igreja próximo as construções do Cindacta, a 1820m. É um dos locais com maior altitude de Santa Catarina. O dia com sol nos lembrou o passeio que fizemos a Fortaleza dos Aparados em 2003. Quando desembarcamos uma inesquecível surpresa, as marcas das patas de nove centímetros de comprimento do leão-baio no asfalto. Caminhamos no campo pelo entorno do penhasco. Voltamos pela estrada com trecho concretado na parte mais alta e asfaltada vinte quilômetros morro abaixo para visitar a gruta N. S de Lourdes. Ali permanecemos por uns quinze minutos. Rodamos por onze quilômetros novamente por chão batido até Urubici. Entretanto, paramos na estrada em Santo Antonio para o motorista ver o que estava acontecendo com os freios do microônibus que não estavam funcionando bem. Fazia um som estridente que parecia um ruído raspado. Ademais, disse que iria consertar quando chegássemos na cidade. Então tivemos que aguardar das 15h52 até às 16h45 para que ele mesmo o consertasse num posto de gasolina. Nesse tempo nos despedimos do grupo que voltou pra Florianópolis, visitamos o Acervo Cultural Urubici. Passamos na rodoviária e, na esquina próximo a igreja conversamos com seu Joaquim Lisandro Vieira, apelidado de tio sigui, e sua esposa Rogéria Souza Vieira. Ele nos levou pra conhecer a Igreja Mãe dos Homens idealizada a mais de trinta anos pelo padre de Itajaí José Gonçalves Spindola. Consertado o micro rodamos mais onze quilômetros para chegar às 17h05 na cascata do Avencal. Antes do por do sol com rastros de fumaça dos aviões vimos os troncos de bracatinga e a queda d'água do Avencal. Na volta paramos na estrada e observamos as luzes da cidade, num belvedere a 1176m de altitude. Voltamos pra Urubici embarcamos no micro da viamérica e retornamos pra pousada.

Segunda-feira, 28 de Julho de 2008.

Passava alguns minutos das sete quando levantei, fui caminhar no páti
o da sede da Fazenda sob uma neblina que me agradou fotografar. Encontrei a Eusa que tinha se acordado antes. Depois vi o Eduardo. Apareceu sol depois no desjejum por volta das 09h20.

Quando o Josmar, a Deca, a Silvana, o Eduardo, a Caroline, a Cristina, o Valter, o Helmut, a Neci, a Eusa e o PF subiram por uma estradinha em campo aberto guiados pelas conversas do Márcio ficou-se sabendo que são mil hectares a área da Fazenda, e o quanto foram cortadas Araucárias e Imbuias na região. Paramos duas vezes pra descansar, outra pra comer laranjas numa tapera, e a quarta às 10h50 no topo de um cerro coberto de samambaias a 1140m de altitude. Ali soprava um vento que não se sentia na parte baixa, segundo comentou o guia. Ele identificou a copa de uma imbuia na mata nativa e nos mostrou em q
ual direção no horizonte estão as cidades de Lages, Urubici e Alfredo Wagner numa paisagem verdejante coberta por morros, ora com floresta nativa, ora com plantações de pinus. Por ele ficamos sabendo das pegadas do leão-baio na estradinha que passamos. Voltamos. Permanecemos alguns minutos em torno da sombra de um cambará. Novamente na sede da Fazenda às 12h07, alguns almoçaram para depois arrumar as bagagens pra o retorno das 14h30.

Inicialmente nosso retorno tinha sido marcado para tardinha, em torno das 1
8h00. Conversando todos acharam melhor ter saído antes e viajar algumas horas durante o dia. Para chegar na rodoviária de Lages, onde o Helmut iria pegar ônibus para Curitiba, o Bira solicitou informação para o Hermes Furtado que caminhava na calçada na entrada da cidade. Logo nos encaminhamos para BR 116, onde paramos por 13 minutos (16h24 – 16h37) no Queijo&Cia, um mercado à beira da estrada. Comprei queijo colonial e um vidro de mel. Mais adiante cruzamos por muitos trabalhadores que estavam consertando a estrada. Num determinado momento a 54km de Lages paramos por três minutos na pista num pequeno engarrafamento onde a estrada ficou somente com uma mão liberada .
Dialogamos para encontrar um local onde lanchar. Um opção era o Panoramio em Passo Fundo, que por algum motivo foi descartado em prol do Rota Sul em Tio Hugo. Permanecemos nessa localidade por meia hora. Comi pães de queijo e tomei um suco em lata que não me lembro qual sabor. Às 22h50 chegamos na rodoviária de Cruz Alta para que o Rodrigo desembarcasse. Mais adiante no caminho o Valter recebeu um telefonema dos seus pais comentando sobre uma forte neblina em Santa Maria. Passávamos por Júlio de Castilhos às 23h46, quando notamos a pouca visibilidade para dirigir. Eis que o Valter falou com os motoristas para reduzir a velocidade que era mais acelerada que aquela da ida. Após 10 horas de viagem, por volta 00h30, visualizamos Santa Maria sem neblina. Rodamos cerca de 570km, da entrada de Lages e 655km da pousada Fazenda São Sebastião em Bom Retiro.
Os viajantes: Ivan, Eusa, Caroline, Cristina, Valter, Helmut, Neci, Deca, Josmar, Eduardo, Silvana Dalmaso, Rodrigo, Alice e PF. Entrementes, Daniel, Adéli, Tainá, Bárbara, Silvana e Fernando Noal chegaram no sábado à tarde em Urubici e retornaram no domingo para Florianopólis.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Rotas do Pontal de Tapes


Sexta-feira, 10 de Abril de 2009.
Numa manhã ensolarada com temperatura outonal agradável, após uma noite estrelada de lua cheia, iniciamos nosso passeio para Tapes, na costa doce da Laguna dos Patos.


Não tivemos neblina como aquela dos dias anteriores. Observamos que os tons amarelados do arroz cultivado ao longo das planícies à beira da via pavimentada indicavam que as lavouras estão na época da colheita; em muitas outras áreas pequenas hastes cortadas, e os rastros dos pneus das máquinas agrícolas demonstravam que o cereal já fora colhido. Nestes locais ora pousados, ora voando, algumas garças-brancas-pequenas e bandos de maçaricos- pretos.
Como o dia era feriado, nos surpreendemos com o movimento de veículos vindos em direção contrária, principalmente logo que cruzamos pela bifurcação com a BR 153, após a cidade de Novo Cabrais. Percebe-se que a via foi recapada em alguns trechos de Camobi até o Santuário, porém continuam percursos com buracos na RS 287 até a cidade de Paraíso do Sul.
Paramos no Restaurante Nevoeiro, em Santa Cruz, ficamos ali uns vinte minutos; quem foi nos banheiros do Posto notou que estavam limpos. Também paramos perto de uma casa familiar à beira da RS 244, na localidade de Pagador Martelo, procurávamos informações. Falamos com seu Martim, ele nos indicou a direção e a entrada pra Santo Amaro; seguimos viagem; passamos alguns metros de uma estradinha de chão batido à direita, alguém notou uma placa indicando o acesso; retornamos e fomos visitar a pequena localidade luso-açoriana à beira do Rio Jacuí com seus casarões do século XVIII. Caminhamos pela praça; entramos na Igreja de Santo Amaro construída em 1787; visitamos a Antiga Estação Férrea datada de 1883, denominada Amarópolis; em frente, no bar e lancheria Beira Rio, o Ivan, a Eusa e o PF, almoçaram porções de traíra frita, com salada de alface e tomate. Os demais do grupo foram ao Restaurante Coqueiro. Mais tarde visitamos a barragem Eclusada de Amarópolis. Vimos uma estrutura de metal que atravessa o Rio Jacuí de uma margem a outra, e o canal com paredes altas concretadas da eclusa. Seguimos viagem, e novamente pela via asfaltada andamos até General Câmara. Por dez minutos demos um giro pela pequena cidade com suas casas geminadas. Passamos por Charqueadas. Encontramos uma ciclovia ao longo da estrada. Quando cruzávamos pela ponte na RS 401 visualizamos o PASC. Ademais, rodando pela BR 116 cruzamos um viaduto onde podia-se visualizar à esquerda a cidade de Guaíba. Durante a passagem pela ponte sobre o Arroio Araçá com seus 42,7m, estávamos a cinco quilômetros de uma plantação de nogueiras com copas verdejantes, e a seis quilômetros da entrada para Tapes. Nesta entramos numa via asfáltica com alguns buracos na estrada. Rodamos quatorze quilômetros para maioria do grupo visualizar pela primeira vez a cidade de Tapes , por volta das 16h40min. Por estar localizada à beira da Laguna dos Patos, a cidade tem uma topografia plana. Era noitinha quando passamos pela praça central. Procuramos o Hotel Balneário, na rua Ver. Alberto Cardoso Filho, onde o Valter fizera as reservas. A poucos metros da beira da Laguna, unido por um pequeno mato nativo; tem-se acesso ao hotel por um pátio de chão batido; quando desembarcamos fomos recepcionados pelo Hernani; ele nos encaminhou aos quartos do primeiro andar. Agradável noite de lua cheia, que vimos surgir sobre as águas da Laguna dos Patos, no horizonte leste, acima do pontal de Tapes. Era noitinha quando caminhávamos pelas areias na orla com águas calmas. Subimos num trapiche de madeira, perto de uma casa onde os pescadores comercializam seus produtos. Então, conversamos sobre onde e o que jantar; portanto, fomos ao supermercado fazer compras pra massa que prepararíamos. Nesse ínterim, com um telefonema ficamos sabendo que poderíamos usar a cozinha do hotel. Num fogão forte, as cebolas, depois os tomates foram fritos em panelas grandes, naquelas chamas azuladas vertendo constantemente pela borda das bocas. Acrescentou-se molho vermelho pronto, um pouco de alho em lasquinhas, tomate seco desidratado, no final queijo parmesão ralado. Depois da janta, apreciamos um doce de cajú em barra, coloração marrom escura, macio que podia-se corta-lo com uma colher, gosto forte, delicioso por não ter aquela ardência na garganta comum dos doces feitos com açúcar branco. Sobremesa que veio do nordeste brasileiro com a cortesia do Ivan. Pouco depois da meia-noite subimos para os quartos.

Sábado, 11 de Abril de 2009.


Acordamos por volta das 07h30min. O pessoal do hotel nos comunicou que o desjejum ficaria servido até às 09h30min; manhã ensolarada; durante a refeição o Ivan encontrou um casal de amigos de Santiago, que agora residem em Porto Alegre. Como o Valter agendou uma visita de barco ao pontal de Tapes, antes do término do horário do café embarcamos na Sprinter branca rumo a marina da cidade. Fomos ciceroneados pelo Hernani. Quando chegamos já estávamos sendo aguardados pelo Célio e seu filho Elieser. Eles apresentaram-nos um barco de madeira a motor, disseram que suporta cerca de 4 a 5 toneladas de peixe, e que os pescadores utilizam pra pescar viola, tainha, bagre ou pintado. Elieser comentou que a Laguna tem sua maior profundidade em torno de seis a sete metros, e que navegamos cerca de 7km, entretanto, Célio disse ser 8km, a distância que levamos uma hora pra vencer até o pontal. Durante a travessia fomos acompanhados pelo suave farfarolar de uma borboleta. Céu azul imenso, sol quente muito, água bastante calma. Por vezes observamos grupos de dez ou quinze gaivotas nadando, poucas, apenas duas ou mais voaram sobre nós. Encontramos um barco com pescadores. Às 10h50min, chegamos na margem do pontal; dali se percebia que a cidade surgia como uma tênue linha imaginária de pequena altura ao longo da margem da Laguna. De perto destacam-se aqueles prédios grandes de alvenaria, alguns abandonados, e a enorme antena metálica de telefonia indicando a localização da praça de Tapes. Desembarcamos num local cercado por juncos na margem, ao lado de um barco ancorado; perto dali notamos barracas de plástico preto e redes de pescadores entre os troncos e sombras de um plantio de pinus. Fotografei alguns patos jovens nadando e brincando na orla, e alguns peixinhos. Depois de alguns minutos andamos por uma estradinha no meio do plantio de pinus até o outro lado do pontal. O Ivan, a Eusa, o Helmut e a Neci caminhavam bem na frente dos demais pelas areias de uma praia que não encontramos ninguém. Fiquei pra trás fotografando a vegetação das dunas; encontrei-me novamente com a turma quando paramos na sombra de uma pequena figueira à beira da Laguna. Tomou-se água, comeu-se bananas, sanduíche e amendoins descascados e torrados; ali descansamos por uns cinquenta minutos. Retornamos para margem que havíamos desembarcado. Devido o percurso de retorno ser mais longo, por ser a hipotenusa de um triangulo imaginário , nosso retorno a Tapes foi mais demorado, levamos uma hora e quarenta minutos; chegamos e desembarcamos num parco trapiche de madeira.
No retorno para o Hotel aproveitamos a luz solar pra fotografar casarões. Fomos ao centro, ficamos num bar próximo a praça movimentada, cervejas foram tomadas; durante conversas que culminou na decisão sobre onde e o que jantar, passamos numa feira de agricultores num galpão da Emater;  comprou-se salsinha, goiabada produzida por agricultor de Araçá; como optamos por cozinhar peixe, fomos noutra feira popular, comprar verduras, frutas, ovos e queijo; ainda faltava o ingrediente principal; procuramos a Peixaria Viegas, a mesma que conhecemos ontem; mas, tivemos que solicitar informações pra encontrá-la na Rua Caramuru, 12, na Vila dos Pescadores. Adquirimos quatro bagres descongelados pesando 3,6kg, ao custo de seis reais o quilo, no total foram pagos vinte e um reais. Chegando no hotel, alguém nos informou que a Jandira, cozinheira que trabalha ali há onze anos usaria a cozinha. Fomos surpreendidos porque não lhe avisamos que iríamos preparar a janta, esquecemos de fazer uma solicitação ! Conversamos com o pessoal do hotel ressaltando que não atrapalharíamos. Dissemos que apenas alguns do grupo iriam entrar na cozinha. Depois aconteceu o contrário, às vezes tinha uma pessoa descascando cebolas, outra picando os tomates, uma fatiando queijo, outra cuidando das panelas no fogo, ou simplesmente alguém entrava ali para conversar e ver como estavam os preparativos. Comentou-se que não tínhamos limão pra temperar o peixe, eis que o Valter providenciou; antes ficou aquela dúvida: deveríamos ou não cozinhar ? outro argumento, era 18h30min e a cozinheira começaria a trabalhar a partir das 19h30min; o que de certo modo nos daria algum tempo;  porém, quando fomos para cozinha ela já estava lá;  no início não havia muito diálogo, mas aos poucos foi mudando para melhor; ademais, fomos tratados com simpatia pela proprietária do hotel, muito solicita em nos auxiliar; quando ficou tudo pronto, juntamos quatro mesas da sala de refeições, madeira pesada, comentou-se que é de angelim da amazônia; subimos pra os quartos logo depois da meia- noite.


Domingo, 12 de Abril de 2009.

Acordamos por volta das sete horas; tomamos café;  começamos arrumar as bagagens; fomos visitar o Hotel do Pontal de Tapes;  dali retornamos pelo centro da cidade, e às 11h04min estávamos saindo por uma via asfaltada, a Avenida Assis Brasil, com palmeiras novas plantadas em seu canteiro central.
Rumamos pelo mesmo percurso da ida;  quando estávamos em São Jerônimo procuramos local para almoçar. Às 13h13min encontramos o restaurante Panorâmico, através de suas janelas laterais de vidro visualizavam as águas do Rio Jacuí. Tínhamos buffet livre, por peso e espeto corrido; comi um peixe frito amargo, brócolis, moranga kabutia, um pedaço de mandioca, cinco ovos de codorna cozidos, alface, da beterraba não tenho certeza.
Mais tarde embarcamos no veículo que viajávamos para entrar numa estradinha empoeirada com coloração de carvão. Então, nos encaminhamos para o local onde se acessa a barca; observamos-a partir lotada de Triunfo na outra margem imediatamente oposta, no instante que cruzava o Trevo Verde, um navio de grande tonelagem que subia o imponente Rio Jacuí. Quando chegou, vimos os veículos entrar lentamente na barca que transportou 36 carros, 2 Sprinters e quatro motos. Dois homens, o maquinista, o ajudante e mais seis minutos de travessia para chegar em Triunfo.
Enquanto passeávamos pelas ruas desta cidade fotografamos alguns casarões construídos no século XIX. Visitamos a praça central; passamos em frente a casa onde nasceu Bento Gonçalves. Por volta das 16h10min partimos em direção a RS 470, estávamos apenas dez minutos da localidade de Barreto. Não foi pela bela ponte metálica em desuso que chegamos novamente a General Câmara; ao contrário, atravessamos o Rio Taquari utilizando-se dos serviços diuturnos de navegação de uma pequena barca, com uma capacidade pra transportar apenas quatro ou cinco carros; chegando na outra margem rodamos por uma estrada de chão batido com dúvidas durante o percurso; quando nos deparamos com a primeira bifurcação, próximo a uma pequena ponte de concreto, dobramos à direita, procuramos pessoas numa casa para nos informar. O PF desceu, perguntou, voltou, e disse que de acordo com a indicação recebida tínhamos que retornar e seguir pela pequena ponte; rodamos três quilometros, mais outra bifurcação, que se soubéssemos seguiríamos à direita e reto; paramos novamente, não apenas para observar o verde escuro das folhas das acácias-negras, mas também para aguardar um carro com pessoas que nos orientasse.
Com sua luz fortemente amarelada, o sol encaminhava-se suavemente para o horizonte oeste; mas a claridade dele ainda nos permitia observar uma plantação de nogueiras à margem da estrada de General Câmara; também percebemos outros plantios de acácias-negras e eucaliptos durante o percurso até a cidade de Santa Cruz.
Um intenso movimento fez com que aguardássemos alguns minutos para entrar na RS 287 às 17h56min. Rodamos trinta quilômetros em meia hora pra chegar no posto dos pinheiros. Uma pessoa que trabalha no local nos permitiu utilizar os banheiros, comentou que a lancheria acabara encerrar o expediente. Também nos informou que recém tínhamos cruzado a ponte sobre Arroio Plums I, que delimita Vale do Sol e Vera Cruz.
Novamente em Santa Maria, Ivan, Valter, Eusa, Helmut, Neci, Caroline, Cristina, Martha, Sérgio, Marta, Lara, e o PF que viajaram com o motorista Fabrício da Viamérica.
Santa Maria, 16 de Abril de 2009.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Um sábado entre Novo Treviso e Vila Cruz

Por sugestão do Valter visitamos Novo Treviso. Combinamos o encontro da partida em frente ao Hotel Appel. Por volta das onze e cinquenta, numa manhã mais ensolarada que fria embarcamos no ônibus do Sérgio. Seguimos pela RS 287 até a entrada à esquerda pra Faxinal do Soturno, na RS 149. Percebemos que terminou a colheita do arroz, nas lavouras onde ele fora plantado a várzea estava alagada, e tinha restos de palha e lama. Às 12h50min passamos pelo trevo de São João do Polesine, depois de percorrer  47km. Às 13h12 visualizamos uma parte plana entre morros perto do Rio Trombudo com poucas moradias contrastando com a imponente Igreja Santa Terezinha. Ela fora construída há mais de cem anos. Na parede do altar e no teto apreciamos as pinturas do A. Lazzarini, feitas na década de 60. Dona Lourdes Balzan comentou que a torre foi erguida com pedras, e por ela ficamos sabendo que em 02 de setembro ocorre comemoração na igreja, e no último domingo de abril tem festa do padroeiro São Marcos. A família da Claudete Basso, filha da Maria e do Solenio, mãe do Igor, casada com o Almir, nos aguardava para o almoço nas dependências de uma casa de alvenaria situada numa esquina. Embora a fachada indicasse o ano de 1943, parte dela fora construída de madeira há muito mais tempo. Todos muito agradáveis e simpáticos nos conduziram à sala de refeição. Na mesa  iguarias em quantidades levemente superiores ao nosso apetite; ademais, as qualidades da massa ,  sopa de agnolini, batata-doce-assada, polenta, galinha, pão, risoto, salada de alface, tomate, omelete, queijo ralado, sucos de laranja com manga, ou com abacaxi. Mais tarde abriram as portas do Museu Geringonça de Novo Treviso localizado num prédio ligado à casa, com dependências novas; no térreo visitamos salas com diversos objetos de metal e de madeira que foram utilizados pelos primeiros imigrantes. Sempre delicadamente dispostos harmonizando com duas fotos ampliadas nas dimensões das paredes do fundo. Muitos posters com textos dos quais reproduzimos este: as casas eram construídas em clareiras abertas no meio do mato, com pranchas de madeira falquejadas e esteios; na falta de pregos, amarravam os pranchões com cipós. Muitas vezes as cozinhas eram de chão batido, o que facilitava para o fogo. Costumavam fazer um fogo no lado de fora das casas para espantar os bichos. A Claudete nos auxiliou na tradução destas duas frases em dialeto: “ chi gá inventa l’vin, se no l''zé in paradiso el zé vissin”, quem inventou o vinho, ou está no céu ou dele é vizinho, e “chi va in leto senza cena tuta la note li se ramena, quem vai pra cama dormir sem comer se remexe toda noite. Foi seu filho, que durante a caminhada pelo pátio, disse o nome da lili, uma pastora alemã dócil de cinco meses. Ele nos mostrou onde estavam os chiqueiros dos porcos, o cercado das galinhas, e o campo com as reses descansando; entrementes, observamos um bando de gansos brancos caminhando e movimentando lentamente seus pescoços pra frente e pra trás com um grasnar de intimidação.
Combinamos seguir viagem para Vila Cruz, distante oito quilômetros por estrada de chão. Deixamos o ônibus e optamos por uma caminhada de duas horas. Com sol ameno e poucas nuvens no céu, às 15h50min partimos. Alguns foram na frente; logo atrás o Sérgio e o PF; juntos conversavam, e seguiram o ritmo e a direção das águas do Rio Trombudo; deveriam ter entrado à esquerda na primeira bifurcação, na frente de uma capela; andaram mais seis quilômetros estrada abaixo; encontraram muitas bergamoteiras com frutos amarelos quanto deliciosos, e visitaram a localidade que recebe o mesmo nome do Rio. Ali chegaram à noitinha duas horas após; falaram com o Anderson no armazém dos Cargnelutti; o seu pai Décio permitiu que ele nos conduzisse de carro novamente a Novo Treviso; embarcamos no ônibus e rumamos agora pelo caminho que nos levaria até Vila Cruz; logo, na bifurcação da capela dobramos, e passamos por uma pequena ponte sobre o Rio Trombudo que indicava o início de uma longa subida; andamos  dois ou três quilômetros morro acima por uma estradinha de chão pedregoso e firme tanto quanto estreita, como uma trilha no meio do mato;  percorrendo as partes mais altas notávamos o vale iluminado pelas luzes das casas; num determinado momento surgiu dúvida; procuramos moradores pra solicitar informação; prontamente paramos na frente de uma moradia à direita da estrada, um menino, observado por uma mulher na porta da casa, vestindo uma camiseta vermelha do colorado nos atendeu dirigindo sua bicicleta; quando perguntamos sobre qual direção seguir, nos indicou.
Pouco antes das sete de uma noite fria de lua cheia chegamos na Vila Cruz. Tentamos encontrar a pousada; descemos pela rua em frente à igreja, dobramos à direita, mais dúvidas quanto a direção; tivemos que solicitar mais informações, inicialmente pra uma mulher que caminhava com compras pela calçada, de acordo com suas palavras deveríamos retornar pela subida e dobrar à esquerda;  desci do ônibus pra auxiliar o Sérgio, enquanto ele manobrava surgiu o Gelson Pesamosca para comentar outra opção: poderíamos ir em frente e entrar na primeira à direita na Rua dos Imigrantes, andar uma quadra e encontrar a pousada; como os demais do grupo chegaram cedo, aguardavam relatos pra saber nosso passeio por outro local.
Fomos agradavelmente recepcionados pela família da Dona Leda Grandene Cargnin, mãe dos gêmeos Marcos e Maurício, e da Mariel e Matias, avó dos filhos do Márcio com a Sandra, a querida Júlia e seu irmão Eduardo, primos da graciosa Betina e José Humberto, caçulas da sua primeira filha Marinês e Humberto Stefanello, o genro do seu esposo Francisco.
Acompanhamos os preparativos da janta, que foi servida num salão no subsolo; primeiro conhecemos o delicioso licor de flores de laranjeira com cachaça. Na mesa posta saborosos pratos: massa al pesto, massa alho e óleo, polenta, queijo, carne de galinha, yakisoba, salada de alface, e os inesquecíveis sucos de uva e laranja.
Nas conversas com a Dona Leda ficamos conhecendo a receita da Flora Mato Grosso; muito digestiva, também combate o reumatismo quando a porção diária ingerida for uma colher de chá, entretanto, doses generosas deixam a pessoa demasiadamente alegre, e ou ébria. Pra ajudar na lembrança anotamos os ingredientes: casca de angico-vermelho, casca de mamica-de-cadela, casca de corticeira, cipó-mil-homens e cancorosa; preparado em quantidades semelhantes de todas as cascas numa pequena vianda, três pedaços de 5cm do cipó, sete folhas de cancorosa, dois litros e meio de álcool de cereais ou de cachaça. Deixar em infusão por três a quatro meses; após este período retira-se o líquido precioso; reserva-se em outra vasilha; acrescenta-se ao recipiente com as cascas mais dois litros e meio de álcool ou de cachaça; aguarda-se por mais quinze dias, então retira-se pela segunda vez, e mistura-se com o primeiro líquido; tem-se cinco litros da Flora Mato Grosso.
Ainda à noite ouvimos o Gelson cantar, pai das gêmeas Bárbara e Bibiana, filho da Dona Alzira Dalcin Pesamosca, residentes do casarão azul na esquina diagonal à Capela (igreja) de Santa Cruz.
Manhã nublada, muitas pessoas em frente do salão e igreja lotada. No domingo caminhamos nas redondezas. De cima do Morro da Cruz observamos o topo de muitos outros; notava-se que a localidade é composta por dois quarteirões de três ruas calçadas com rochas basálticas.
Conhecemos a fábrica de vassouras artesanais fundada pela família, agora aos cuidados do Gelson. Falando com dona Alzira ficamos sabendo que certa vez ela ajudou a confeccionar 12 dúzias do produto num dia de trabalho, e que jamais reclamaram da qualidade. Comentou que está com oitenta anos, apresentou as netas, mostrou-me as dependências internas do casarão, fotos coloridas da família com casamento dos filhos , uma das quais com a Bárbara e a Bibiana sorrindo com um cesto nos braços embaixo de uma videira. Lamentou a morte do seu Ivo, há quatro meses.
Apesar de um farto e apetitoso desjejum, todavia, apenas comento o revigorante suco de couve com hortelã e banana. Às 13hoomin um almoço com muito risoto, carne de porco, salada de alface, e omelete com queijo.
Conhecemos casarões com paredes largas construídas com rochas irregulares. Às 14h21min embarcamos no ônibus do Sérgio, e ciceroneados por Dona Leda e Roberto Spanevello na estrada em direção a Novo Paraíso. Rodamos cerca de três quilômetros até a propriedade com benfeitorias realizadas pela família de Olinto Facco. No caminho não paramos para contar um bando de quinze maçaricos-pretos forrageando no banhado; ademais, ficamos alguns minutos observando um ouriço pousado num galho de um eucalipto, quando caminhávamos na trilha do mato nativo na propriedade do Vitélio Stefanello.
Nos arredores do casarão de pedra dos Facco, um gatinho e um cachorro mansos, nas hortas muitas laranjeiras cobertas de frutos igualmente amarelos; Roberto deixou todos à vontade pra apanhar frutas. A Adéli e a Neci preferiram as flores cor-de-rosa de uma camélia.
Voltamos para pousada. Embarcamos num microônibus escolar dirigido pelo seu Chico. Andamos dez minutos em direção a Linha Cinco. Entramos à esquerda depois da Capela São José. Caminhamos por trilhas na propriedade do Vitélio, numa mata nativa de 24 hectares. Fomos recepcionados pela Marinês Stefanello; ali o Ivan fotografou urubus-de-cabeça-preta pousados nos galhos de uma figueira enorme; observamos um jacú caminhando nos ramos de outra frondosa árvore; seguimos mato a dentro por um caminho limpo, muitas folhas secas no chão com grande densidade de árvores e arbustos de pequenos diâmetros, indicando ser uma floresta nova. Ouvimos o Vitélio comentar sobre o incêndio na casa que estava construindo. Encontramos na trilha, entre as árvores, um cipó-mil-homens; quando solicitada Dona Leda macerou, e cheirou uma pequena amostra de sua casca pra identificá-la.
Nos despedimos por volta das 17h30min. Partimos em direção a Nova Palma; descemos por uma estrada íngreme e conservada de chão batido. Paisagens recortadas por morros, ora razoavelmente cobertos por vegetação arbórea nativa, ora com lavouras e casas nos vales. Andamos oito quilômetros para avistar a cidade. Enquanto cruzávamos pela rua da igreja, notamos as enormes tipuanas plantadas nos dois lados da calçada. Dali rodamos mais 16Km numa estrada vicinal asfaltada ao longo do Rio Soturno. Por volta das 18h25 passávamos sobre os 113,55m da ponte de concreto que marca a divisão de Faxinal do Soturno com São João do Polesine. Quinze minutos depois entrávamos na movimentada RS 287. Às 19h10min Caroline, Adéli, Daniel, Valter, Cristina, Martha, Ivan, Eusa, Helmut, Neci, Marta e Sérgio chegaram novamente em frente ao Hotel Appel.
Santa Maria, 09 de Julho de 2009.